Dia Nacional do Livro: Andréa del Fuego aborda o valor da leitura e reflete sobre seu processo de escrita
29.10.2026

Dia Nacional do Livro: Andréa del Fuego aborda o valor da leitura e reflete sobre seu processo de escrita

Na data celebrada neste 29 de outubro, autora de “A pediatra” e “Os Malaquias” reflete sobre os livros e o consumo de conteúdos nas redes sociais

O Dia Nacional do Livro, celebrado nesta quinta-feira (29), coloca em pauta a relação dos leitores com a literatura em meio ao consumo de conteúdos nas redes sociais. Em entrevista à Alpha Floripa na véspera da data, a escritora Andréa del Fuego falou sobre os hábitos de leitura, seu processo de criação e a trajetória de suas obras. “O livro é a melhor tecnologia”, afirma a autora de “A pediatra” e “Os Malaquias”. 

Para Andréa, a leitura permite ao leitor acompanhar uma forma de pensar diferente da sua, conduzida pela pontuação, pelos diálogos e pelo ritmo de uma narrativa. Durante a conversa, a escritora também destacou a relação entre os livros e a percepção do tempo. “Os livros contêm o tempo, o nosso tempo, o tempo que a gente vive, o tempo que passou, o tempo que virá”, diz.

Ao abordar a formação de leitores, a autora defendeu que a aproximação com a literatura pode ocorrer sem a obrigação de concluir uma obra que não desperta interesse. Ela também lembrou o acesso por meio de empréstimos e bibliotecas públicas. Na avaliação da escritora, os encontros com autores ajudam nessa aproximação, uma vez que quem escreve também compartilha suas experiências como leitor.

Nascida em São Paulo, em 1975, Andréa é mestra em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Sua produção reúne contos, romances e livros para crianças e jovens. Entre suas primeiras publicações estão “Minto enquanto posso”, de 2004, e “Nego tudo”, de 2005. Este último ganhou uma edição revista e ampliada em novembro de 2025, com minicontos reescritos e a inclusão de novos textos. 

Seu primeiro romance, “Os Malaquias”, publicado em 2010, recebeu o Prêmio José Saramago em 2011. A narrativa acompanha três irmãos que seguem caminhos diferentes depois de perderem os pais, reunindo acontecimentos familiares e elementos fantásticos. Já em “As miniaturas”, de 2013, a autora explora a relação entre sonho e realidade por meio dos oneiros, profissionais que conduzem sessões de sonhos. 

Em “A pediatra”, lançado em 2021, a protagonista é Cecília, uma médica que não gosta de crianças e vê seu espaço profissional ser disputado por um pediatra com outra abordagem de atendimento. O romance foi finalista dos prêmios Jabuti e São Paulo de Literatura. 

Na entrevista, Andréa também comentou sua preferência por narrativas curtas e pela escrita em primeira pessoa. Segundo a autora, essa escolha está relacionada ao ritmo das frases e à possibilidade de acompanhar o conjunto do texto durante a revisão. Ao ser convidada a definir sua produção em uma frase, respondeu: “Nunca igual”, fazendo referência às diferenças de temáticas e estilo entre sua vasta trajetória de escrita.

Em novembro, a escritora estará em Florianópolis para a primeira edição do evento “Ponte de Palavras – Encontro Literário de Florianópolis”, que acontece de 13 a 15, com programação gratuita na Casa Hurbana, no Palácio Cruz e Sousa e na Casa da Literatura Catarinense. No sábado (14), Andréa participa de uma conversa com Antonio Prata sobre ficção, humor e cotidiano. “Os encontros literários são encontros de conversa, de escuta”, reflete a autora.

Serviço

Evento: Ponte de Palavras – Encontro Literário de Florianópolis
Hora: de 13 a 15 de novembro de 2026
Local: Casa Hurbana, Palácio Cruz e Sousa e Casa da Literatura Catarinense, no Centro de Florianópolis
Entrada: gratuita

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