Renato Teixeira traz turnê “Renato 80” a Florianópolis em celebração aos 80 anos do Sesc SC
Precisei de 30 anos para entender o que Luiz Gonzaga me falou sobre Romaria
Um dos grandes ícones da música brasileira, Renato Teixeira, se apresentou em Florianópolis, no final de semana, com o espetáculo “Renato 80”. Além de celebrar sua carreira brilhante, cheia de grandes sucessos, o show faz parte da turnê que comemora os 80 anos do artista, autor de trilhas sonoras que marcaram gerações. A apresentação na Capital catarinense fez parte da comemoração dos 80 anos do SESC em Santa Catarina que contou com diversas atrações voltadas para toda a família.
Antes de subir ao palco, Renato Teixeira conversou com a reportagem da Rádio Alpha e falou sobre o show, a carreira e a celebração dos 80 anos. Confira.
Rádio Alpha: SESC 80 anos em Santa Catarina e Renato 80. O que a gente pode falar dessa trajetória cultural?
Renato Teixeira: Eu e o SESC somos parceiros há mais de 40 anos, inclusive a primeira vez que eu mostrei esse som de um caipira acústico, de um caipira mais contemporâneo foi no SESC. Existe uma relação fértil e positiva, o SESC é um “Ministério de Cultura”, um patrimônio do povo brasileiro e poder colaborar com isso, para mim, não tem preço.
Rádio Alpha: O cantor Oswaldo Montenegro falou em uma música “Perguntei ao Renato Teixeira qual é a maneira da vida brilhar, ele disse: Acendendo a fogueira, pegando uma estrela e jogando no mar”. E nesses 80 anos de vida, você conseguiu acender a fogueira e jogar uma estrela no mar?
Renato Teixeira: O tempo todo. Oswaldo é meu irmão querido e eu acho que pegar uma estrela e jogar no mar até que é fácil, difícil é construir uma amizade tão positiva e generosa como a nossa. A música tem dessas coisas né, ela proporciona encontros maravilhosos com pessoas maravilhosas, eu faço parte da “Lista” (Renato faz uma referência a uma canção de Oswaldo Montenegro).
Rádio Alpha: Com uma trajetória tão rica, com grandes sucessos como foi o processo de escolha do repertório?
Renato Teixeira: Não é a gente que faz o repertório, é o repertório que se faz. Porque você nunca consegue criar uma canção com o propósito dela ficar conhecida, fazer sucesso e cair no gosto das pessoas. As pessoas acabam escutando mais coisas, não só os grandes sucessos, e o repertório acaba sendo formado assim, acho que é por aí.

Renato Teixeira | Foto: Carlos Augusto Pedroso
Rádio Alpha: Tua obra é muito criativa e você está sempre produzindo, o segredo é não parar?
Renato Teixeira: Vamos estabelecer um paralelo, se eu fosse padre eu estava rezando missa todo dia. A música é uma espécie de sacerdócio, eu não faço música só para trabalhar, eu faço música para me trabalhar, para minha cabeça. É uma maneira de raciocinar a vida e me posicionar, é a música que me ajuda a contar minha história pessoal, nós somos sacerdotes.
Rádio Alpha: Em uma entrevista recente você contou sobre um encontro com o Luiz Gonzaga, onde após você cantar “Romaria” ele te disse “Você cantou tua Asa Branca né?”. Na entrevista você confidenciou que não entendeu muito, mas que Luiz Gonzaga profetizou que em 30 anos você entenderia. Você entendeu?
Renato Teixeira: Completamente, só não entendi na hora que ele falou, precisei de 30 anos para entender. A música ficou na vida das pessoas, pois ela é uma canção do romeiro, ela não é uma canção de Nossa Senhora. E se a gente pensar que o povo brasileiro é por natureza um romeiro, que a nossa vida é uma imensa romaria em busca da felicidade, da unidade, da paz, da inteligência, do conhecimento, nós somos um país romeiro e nada melhor do que Nossa Senhora Aparecida para nos representar como santa, que chegou no Brasil Branca, foi jogada dentro de um rio, ficou anos por lá e quando saiu ela tinha adquirido uma cor negra. Isso é o Brasil. Ela talvez seja a maior representação no universo dos religiosos.






